Dia 8 de março de 2015, quando fiquei sabendo que a apresentadora e cantora Inezita Barroso havia falecido, aos 90 anos de idade, senti um profundo pesar. Não só pela morte em si (sou muito fã desta mulher desde que me conheço por gente), mas pelo modo que muita gente tratou. Comentários como “já era hora”, “aquela velha da televisão” e “ainda era viva?” correram as redes sociais e as conversas boca a boca.
O que mais me entristece é a falta de memória do povo. Uma memória relapsa que apaga personagens importantíssimos de nossa história. Essa senhora que falecera naquele momento é a principal responsável pela preservação das raízes da fina flor da música brasileira. Não, ela não cantava apenas “Moda da Pinga” e “Lampião de Gás”, ela resgatou todo um folclore esquecido por boa parte da mídia e da população. Ela com seu programa “Viola Minha Viola” da TV Cultura de São Paulo, levou a cultura interiorana para todo o Brasil.
E se engana quem pensa que essa senhora só cantava sertanejo. Ela foi a primeira pessoa que gravou um dos mais famosos sambas-canções brasileiros, “Ronda”, de Paulo Vanzollini (De noite eu rondo a cidade a te procurar sem encontrar...), ela cantava um Noel Rosa como nem Aracy de Almeida foi capaz (outra que ninguém sabe quem é). E também para quem não sabe, junto com Paixão Cortes e Barbosa Lessa fez todo um trabalho de resgate das danças gaúchas, como o “Pézinho” (Ai bota aqui ai bota ali o teu pezinho...) e “Balaio” (Balaio meu bem, balaio sinhá, balaio do coração...).
Inezita Barroso, mais uma personalidade que se vai, mas seu legado, suas virtudes, seus anos e anos percorrendo o Brasil de carro recolhendo músicas, danças e versos ficarão. Correrão os dias até o fim de tudo levando a origem de uma nação na bagagem. Hoje eu não calo a boca, eu bato minhas mãos, aplaudindo essa grande dama e dizendo: “Inezita, quantas saudades você me trás.”.
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