
Infelizmente, minha memória recente é meu ponto fraco. Geralmente não me lembro de algumas coisas pontuais que me falam, ou coisas pontuais que acontecem em minha volta. Mas resolvi desta vez analisar o que fez o prefeito de São Leopoldo, Doutor Aníbal Moacir, ser eleito, sendo que hoje em dia ele é muito criticado. E para isso tive que fazer uma pesquisa minuciosa em jornais, revistas, facebook (sim, facebook em época de eleição é uma eferverscência de críticas, ofensas e muita opinião) e me deparei com um vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=HlwdA1FWWN0) de um debate da TV Educativa (TVE) que na época não cheguei a ver pois nem chegou a meu conhecimento (2012 foi um ano muito conturbado para mim).
Nos pouco mais de 50 minutos do debate, vi de tudo um pouco. O candidato Fernando Henning (PPS) parecia muito nervoso, não sabia para onde olhar, apertava muito as mãos, mas evitava um embate com os outros. Falava muito em ouvir a sociedade e de um plano de governo feito durante quatro anos. Qual sociedade? Não sei se foi Orpheu, Ginástica (hahaha piadinha sem graça), mas me lembro muito bem da eleição de 2008 de ele candidato a vereador fazendo campanha para o mesmo doutor Moacir, então não me espanta essa posição coadjuvantemente tomada.
Ronaldo Zulke, figura emblemática na vida pública leopoldense (foi eleito vereador, mas prefeito sempre rejeitado em São Leopoldo), atacou Moacir, assim como foi atacado por tal, de maneira feroz. Jogava na cara do candidato a história de bater ponto no hospital Centenário, dizia que os governos do PSDB eram um fracasso, por ai a fora. Um brave parenteses: conheço muito petista, e todos falam do mesmo jeito, com o mesmo tom de voz e as mesmas frases prontas. "A critica pela critica", "A disputa pela disputa" foi ouvido em pelo menos 40 minutos dos 50. Caiu no erro de elevar um mandato anterior que deixou uma grande divida.
Finalmente, chegando ao fim dessa analise, doutor Moacir usou do velho modo que já é usado desde os tempos do guaraná com rolha: denúncias e promessas. "Vou construir um novo hospital" foi sua frase mais dita. Também falou muito da dívida da cidade e chegou a soltar pérolas do tipo "Vou levar uma régua e se couber uma maca no elevador eu faço daquela nova prefeitura um hospital." Não sitava nomes, mas atacava Zulke sem dó. Ganhou na base da promessa. Prometeu quebra queixa a quem só tomava sopa sem se preocupar se esse quem tinha dentes pra tal.
Voltando aos nossos dias atuais vemos que tudo aquilo falado não foi cumprido. A divida era muito maior do que o pensado e foi aumentando ainda mais durante o tempo. Agora vemos uma cidade esquecida, um hospital que mata seus pacientes por sobrecarga de trabalho nos profissionais que ali trabalham e nem sinal do novo hospital prometido com veemência. Vimos 3 anos de uma cidade parada para agora, época de eleição, começarem a cortar grama de praças e pintar postes.
Porque só agora? E porque só obras desse tipo? Porque não fazer obras de esgoto, de infraestrutura, e não maquiagens? Uma vez conversando com um engenheiro mecânico da mais alta competência, ele me disse um pensamento que conclui essa minha analise: "O povo tem memória curta. As crises acontecem em inicio de mandato por causa disso. Ai vem época de eleição e vem essas obras, porque o que ganha voto não é fazer obra de esgoto, ninguém vê, é fazer ponte."
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