sábado, 22 de agosto de 2015

Alpendre da saudade

Às vezes fico no alpendre da fazenda
Contemplando a vivenda onde eu era tão feliz
E bem na frente um barranco ao pé da estrada
Foi passagem de boiada
Tão pisado, o chão me diz:

Por quê?
Por que você mudou?
Por que se afastou de mim?
Eu sou apenas uma estrada
Não sou mais pisada
E tão abandonada, enfim

De que me adianta
Esse alpendre da fazenda
Que eu troquei pela vivenda
Por ser tão cheia de pó
Mas era um pó cheio de felicidade
Hoje é pó da saudade
Aqui eu chorando aqui tão só:

Eu sei, eu sei qual a razão
Pois o meu coração me diz
Mas quando eu pego na caneta
Ela me consola
Ela é que me faz feliz

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