segunda-feira, 20 de julho de 2015

A volta dos que não foram



Á muito tempo eu venho dizendo pelas empreitadas da vida que a história recente do Brasil é como um espírito zombeteiro, que não encontrando seu caminho fica zanzando pelo imaginário e pela vida das pessoas em sua volta. Mas também não podemos ser hipócritas e ficarmos de boca aberta, com dizeres do tipo “meu Deus, encontraram milhões na casa da dinda, Collor tinha carrões guardados, onde o país vai parar”.

Eu não era nascido na época dos acontecimentos que culminaram no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello em 1992, mas pelo parco estudo que tenho (não sou de ser modesto, mas agora fui pra manter as aparências) sei que o país sob sua tutela passou por maus bocados. Inflação em altos índices, poupança retida pelo banco central, povo sem dinheiro e sem dignidade.

Denúncias de seu irmão Pedro Collor, que dentre outras coisas falava sobre milhões guardados, dinheiro em campanha que foram capitados, mas embolsados por ele e seu tesoureiro PC Farias (que foi devidamente queimado dos arquivos poucos anos depois) e jogos de poder obscuros ficaram insustentáveis a ponte de o congresso ser obrigado a derruba-lo. Veja bem, não vou com isso contra o que disse no primeiro texto deste blog, ao contrário, reitero, o povo não derrubou Collor, mas uma grande articulação política motivada pelo fato de ele querer roubar sozinho.

O tempo passa e ele aos poucos ressurge das cinzas, como um bom coronel das Alagoas que sempre foi e se une a pessoas do poder, a ponto de hoje, 23 anos após o impeachment, voltar a ser investigado e irregularidades devidamente comprovadas.

Hipócrita daquele que se espanta, quem mandou confiar na velha raposa? Raposa perde o pelo, mas não o vício. E com esse triste episódio vê-se que no Brasil, historicamente, nada se cria, nada se renova, apenas tudo se repete. Aquilo que um dia foi um Fiat Elba, hoje são incontáveis Ferraris, aquilo que foram cruzeiros hoje são reais (sendo otimista, porque devem ser mesmo euros, dólares, moedas que valem), e aquilo que foi passado pra trás... bom... pra frente não foi... (vou calar a boca antes que eu termine com um tiro no peito igual PC ou com um câncer inesperado igual Pedro...).

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